A Copa do Mundo deve ser um gatilho positivo entre as varejistas brasileiras capaz de gerar um aumento total de 4,7% no consumo em comparação com os períodos de base, diz o BTG Pactual.
Os analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon escrevem que o cenário para a Copa desse ano apresenta uma configuração diferente em relação a 2022, combinando uma inflação mais baixa com taxas de juros mais altas.
Apesar dessas condições financeiras mais restritas, o aumento da renda real e a forte dinâmica de consumo dentro de casa, com 65% das pessoas planejando assistir aos jogos em suas residências, devem dar um suporte importante à atividade varejista.
Os dados do banco mostram que o tráfego nas lojas aumenta 6,7% no dia anterior ao jogo, configurando o ponto mais alto do ciclo, à medida que os consumidores se preparam para evitar fazer compras na hora do evento.
Esse comportamento antecipatório é ainda mais evidente na dinâmica dos tíquetes comprados, com as transações subindo 19,1% nas duas que antecedem o apito inicial das partidas da seleção brasileira.
O novo formato expandido do torneio, que contará com 48 seleções, 104 partidas e 39 dias de duração, amplifica estruturalmente as oportunidades de demanda ao aumentar a frequência e a duração das ocasiões de consumo.
Partidas realizadas aos fins de semana, especialmente aos sábados, geram o impacto mais forte, com o tráfego nas lojas crescendo até 18,8% no dia anterior, alinhando-se aos ciclos naturais de reposição de estoque dos finais de semana.
As categorias de carnes, lanches e bebidas apresentam um crescimento expressivo, com os analistas apontando para alta nas vendas de itens como churrasqueiras (+227%), pipoca de micro-ondas (+120%) e amendoim salgado (+86%).
O estudo também sinaliza que, para 2026, tendências como a “premiumização” e a busca por alternativas mais saudáveis, como bebidas com baixo teor de calorias ou zero açúcar, ganharão tração.






