A 99, aplicativo de mobilidade controlado pela chinesa Didi Chuxing, está aportando R$ 45 milhões no Fundo de Eletromobilidade de Duas Rodas da Yvy Capital, gestora especializada em infraestrutura e transição energética.
O investimento torna o fundo operacional e coloca a empresa ao lado do iFood — que entrou em março como primeiro âncora, no mesmo montante — numa iniciativa que mira a descarbonização da maior frota de motocicletas do Ocidente. O FIP tem captação-alvo de cerca de R$ 300 milhões e meta de viabilizar 600 mil veículos elétricos de duas rodas no Brasil até 2035.
O Brasil tem 30 milhões de motos em circulação, com projeção de 40 milhões até 2030, e a penetração de elétricos é inferior a 1% dessa frota. Na China está em 55%, Vietnã em 18% e Índia em 6,5%.
“Os veículos elétricos reduzem custos de abastecimento e manutenção em até 60%, aumentando a renda líquida dos entregadores. Se ele roda muito, digamos três mil quilômetros por mês que muitas vezes acontece, o custo da moto elétrica já é inferior ao da combustão mesmo com o preço inicial maior”, diz Thiago Hipólito, diretor de inovação da 99. A empresa tem entre 800 mil e um milhão de motociclistas ativos na plataforma — base que inclui os serviços 99Moto, 99Food, 99Compras e 99Entrega.
Baratear o valor de entrada depende não só de escala mas de foco. Companhias como Mottu, que aluga motos para os entregadores, acabaram freando os planos no segmento elétrico por custo de seguro e de reposição em caso de perda. Já na Vammo, as elétricas são o foco. Segundo Bruno Aranha, sócio da Yvy, por isso a lógica do fundo é ajudar a desenvolver o ecossistema, que pode ser desde a bateria até a montagem ou fabricação completa.
“A gente não quer verticalizar um único ativo e esperar que ele construa o ecossistema sozinho. Isso é muito difícil de acontecer”, diz o sócio da Yvy. Hipólito adiciona um outro ponto tanto relativo à economia quando sustentabilidade. “A moto elétrica tem muito menos componentes. Você consegue manter a moto ‘as new’ quase indefinidamente, trocando banco, troca carenagem. Isso alonga a vida do ativo de forma muito positiva para o investidor”.
A entrada da 99 carrega um componente estratégico além do financeiro, diz Aranha. A Didi Investments, braço de venture capital da controladora chinesa, co-investirá ao lado da operação com foco em retorno financeiro, enquanto a 99 Brasil acompanha pela ótica da cadeia operacional. “São dois times que vão fazer parte do fundo de forma muito ativa”,
O fundo não opera como venture capital tradicional. A Yvy descreve sua atuação como a de um merchant bank voltado à fase pré-decisão de investimento — do zero até o momento em que grandes players de capital intensivo entram. O portfólio deve incluir desde startups de gestão de frotas e plataformas de compartilhamento até projetos estruturantes como fábricas de motos, baterias e estações de recarga.
A 99 e o iFood fazem parte da Aliança pela Mobilidade Sustentável, iniciativa com 31 empresas que desde 2022 destinou mais de R$ 410 milhões a projetos de transição elétrica no Brasil.






