Araxá, no oeste mineiro, lidera o mercado mundial de nióbio por meio da atuação da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), empresa responsável por algo entre 70% e 80% das vendas globais. Até 2028, uma segunda companhia, a australiana St. George, pretende iniciar atividades de extração e processamento de nióbio em terras araxaenses.
“A produção inicial será de 5 mil toneladas de ferronióbio em 2028, já prevendo uma expansão para 10 mil toneladas em uma segunda fase”, diz Thiago Amaral, diretor de ESG e desenvolvimento técnico da St. George. Ferronióbio é uma liga metálica utilizada na produção de aços especiais. É a forma mais comum de comercialização do nióbio.
A CBMM produziu em 2024, o último dado disponível, 95 mil toneladas de ferronióbio equivalente, uma vez que a empresa também produz óxidos de nióbio. O mercado global é estimado por Amaral em 120 mil toneladas/ano e cresce na casa de 6% ao ano.
No Brasil, além da CBMM, a chinesa CMOC Group produz em Catalão (GO) por volta de 10 mil toneladas anuais de ferronióbio — ela é a segunda maior produtora global. A mineração Taboca, do grupo chinês CNMC, também produz nióbio no Amazonas, mas os volumes não são divulgados.
“Existe espaço no mercado para novos players. As empresas consumidoras não querem ficar dependentes de poucos fornecedores”, diz Amaral. Segundo o executivo, a indústria de defesa é a mais sensível à restrição de opções de fornecedores e pode ampliar as aplicações do material tendo mais opções de compra.
As reservas da St. George em Araxá somam 41 milhões de toneladas de monazita, de onde pretende extrair nióbio e terras raras. A empresa também planeja instalar no local uma planta de processamento de terras raras, com capacidade para produzir 15 mil toneladas por ano, com projeção para entrar em operação em 2029. O investimento total nas unidades produtoras de nióbio e terras raras é de R$ 2 bilhões.
Na CBMM, a prioridade é investir no desenvolvimento de novas aplicações para o nióbio e assim ampliar o mercado. “Investimos entre R$ 250 milhões e R$ 300 milhões por ano em P&D [Pesquisa & Desenvolvimento]”, diz Rafael Mesquita, diretor de tecnologia da companhia.
O resultado com maior destaque do esforço inovador foi o desenvolvimento da tecnologia XNO, que utiliza óxidos de nióbio para a produção de ânodo (o polo negativo) de baterias de íon de lítio. As principais vantagens da tecnologia são maior durabilidade proporcionada à bateria e recarregamento ultrarrápido. Em um ônibus, por exemplo, a recarga pode ser realizada em dez minutos. A bateria com a tecnologia XNO é indicada para aplicação em veículos e equipamentos pesados.
A tecnologia foi desenvolvida em parceria com a britânica Echion Technologies, especializada em baterias. Em 2024, a CBMM inaugurou em Araxá a primeira fábrica do mundo voltada para a produção de ânodos de nióbio para baterias, após investimentos de R$ 2,2 bilhões. A capacidade produtiva da unidade é de 3 mil toneladas por ano de óxidos para baterias, sendo que 2 mil toneladas são para aplicação na tecnologia XNO.
A CBMM agora trabalha no desenvolvimento de cátodos (o polo positivo) de baterias produzidas com óxidos de nióbio. “Além de maior velocidade de carregamento, as baterias com cátodos de nióbio são mais seguras e estáveis”, diz Rodrigo Amado, diretor de novos materiais e aplicações da CBMM. Hoje os cátodos de nióbio já estão disponíveis para baterias de íons-lítio para motos. A companhia prepara uma nova versão que seja capaz de aplicações em baterias de íons-lítio para automóveis. Segundo Amado, a expectativa é que os cátodos de nióbio estejam disponíveis no mercado em 2027. “No momento, estamos fazendo a homologação da tecnologia na indústria automotiva”, diz o executivo.
Entre as novas aplicações de nióbio em desenvolvimento na P&D da CBMM ou em parcerias com clientes da empresa estão novas ligas metálicas resistentes a altas temperaturas, com aplicação na área de energia, e vidros de alta qualidade.
A expansão das aplicações de nióbio também se dá por meio de desenvolvimentos tecnológicos independentes. No início deste ano, um grupo de pesquisadores do Instituto de Química da Universidade de São Paulo em São Carlos depositou a patente de uma tecnologia capaz de produzir baterias que usam o nióbio como elemento principal, e não o lítio. A tecnologia, no entanto, ainda precisa passar por novos desenvolvimentos antes de ser uma alternativa comercial.
A startup Nanonib, uma spin-off da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), desenvolveu um creme antiacne que usa nióbio como ingrediente. O creme já está disponível no mercado, produzido pela indústria mineira de cosméticos Yeva.
Atualmente, o ferronióbio responde por 75% das aplicações do nióbio. É uma liga composta por ferro e nióbio utilizada para aumentar a resistência mecânica, a durabilidade e a leveza do aço. “O ferronióbio reduz entre 10% e 30% o peso do aço e, por ser mais resistente, permite a construção de estruturas metálicas com o uso de menos material”, diz Mesquita, da CBMM. Os principais clientes do aço com liga de ferronióbio são a indústria automobilística, a construção civil, fabricantes de máquinas e equipamentos e a indústria de defesa.






