A rede de milk-shakes Milky Moo traçou um plano para se tornar a maior vendedora de sorvetes do país, saindo das 670 lojas ou quiosques atuais e 183 em implantação, para ultrapassar 3 mil operações até 2030, incluindo oito unidades em diferentes fases entre Miami e Orlando atualmente, três no Paraguai e uma em negociação em Utah.
Para efeito de comparação, só a Oggi, dos picolés a preço de fábrica do ABC paulista, tem mais de 1.000 franquias pelo país, enquanto a mineira Chiquinho opera cerca de 800 lojas, com forte presença no interior. No segmento premium, a paulistana Bacio di Latte soma mais de 200 unidades – todas próprias – e a Gelato Borelli, de Ribeirão Preto, tem perto de 250 licenciadas.
Um relevante concorrente indireto, presente em mais de mil endereços, é o Bob’s, titular da receita original com Ovomaltine, que popularizou a bebida à base de sorvete no país a partir da zona sul carioca e dos anos 1950. Não à toa, a Daus (antiga Ourolac), tradicional fabricante de base de sorvetes para a rede de fast-food, é também a principal fornecedora da Milky Moo, sua conterrânea goiana.
Em volume, a Milky Moo vendeu 24 milhões de milk-shakes no ano passado e projeta se aproximar de 35 milhões em 2026 — com um sell-out de R$ 542 milhões para até R$ 800 milhões. Os números não incluem as 20 milhões de caixinhas de bebida proteica esperadas da collab com a Piracanjuba, vendidas em farmácias, academias e e-commerce.
“Acreditamos que o modelo tradicional de lojas de rua, em shoppings e quiosques comporta 1.500 unidades e já temos 853 contratadas, em todos estados brasileiros”, estima o fundador e CEO, Lohran Soares. Para bater o desejado dobro desse platô, a marca está apostando também no formato de estações móveis recém-lançado, o Milky Moo Festa.
Mantendo o modelo de franquia como vetor para expansão, a nova vertical foi desenhada para atender municípios de 25 mil a 50 mil habitantes, ou complementar as lojas físicas em cidades maiores — além de casamentos, aniversários e eventos em geral –, com investimento de R$ 210 mil, enquanto uma loja convencional precisa de R$ 420 mil para começar a rodar e quiosques partem de R$ 290 mil.
A empresa – que abriu sua primeira loja duas semanas antes do lockdown, em Goiânia – mapeou 1.352 cidades com potencial para o novo formato e 1.745 oportunidades de operação no país. Nas grandes capitais, o modelo tem fit com o calendário rotativo de sobremesas dos edifícios corporativos.
“Já somos a maior marca em pontos de venda com apenas seis anos e esperamos bater a milésima com sete anos e meio. Faltam 147”, cronometra o empreendedor. “Nossas metas são agressivas, sempre foi assim”, relata. Outro ativo de peso são licenciamentos temporários como O Boticário, Adidas e estúdios Universal e Paramount para filmes e séries, com na geração Z.
Antes de criar a Milky Moo, ele tocava as duas lojas da Senhor Lorhan, sapataria que fundou aos 18 anos e durou 16, boa parte deles simultâneos ao emprego de garçom no Outback, onde intensificou a obsessão por padronização e experiência do cliente. “Era uma sapataria masculina. Imagina a recorrência de compra”, recorda com o bom humor dos atuais 35.
A rede de milk-shakes surgiu de “uma sociedade improvável” entre um empreendedor de 29 anos e um representante comercial de 60, Paulo Sérgio Amin, que fornecia carteiras, cintos e camisas sociais para a loja de calçados. Eles venderiam 33% da empresa por R$ 1 milhão ainda em 2020 aos donos da dedetizadora Pastarosa, com atuação expressiva no Centro-Oeste.
“Isso nos deu um respiro financeiro enorme. Tínhamos apenas uma loja, jamais me arrependi, sou super grato”, conta Soares. Com o falecimento de Amin em 2024, por problemas de saúde, seu filho Lucas e a viúva Adélia assumiram a participação de 31% igual à de Lohran Soares. Os 5% restantes pertencem a Ana Clara Costa Alves, ex-colega dos tempos de diner de estilo australiano.
Presente em hipermercados, estações de metrô e postos de gasolina, a Milky Moo tem agora os aeroportos no radar. “Já somos o maior delivery de sobremesas no iFood e na 99 – vendendo mais que Borelli, Bob’s ou Bacio nesses canais –, a nona maior franqueadora de food service do país e a 35ª geral. Vejo a Milky Moo como um negócio com potencial enorme. Algo que surge no mundo a cada 30 anos, como um McDonald’s ou Starbucks”, compara o fundador sem modéstia.






