A grife americana 7 For All Mankind escolheu o Brasil para ser um dos principais mercados para o crescimento global da companhia, que se tornou conhecida pelas calças jeans vendidas a mais de R$ 2 mil. A empresa vê potencial no mercado de luxo do país, que pode saltar de 7% para até 12% do negócio global da marca e superar a casa dos R$ 100 milhões de faturamento até 2029, quando completa 10 anos no país.
A principal parte da estratégia é a ampliação de lojas físicas no Brasil. Nos próximos quatro anos, a marca de moda quer inaugurar novas unidades em Goiânia, Recife, Curitiba e Porto Alegre, uma em cada capital. Atualmente, a companhia está fincada principalmente no Sudeste, com cinco lojas em São Paulo, duas no Rio e uma em Brasília.
A 7 For All Mankind vê ainda espaço para inaugurar a primeira loja de rua da grife no Brasil. De fora do cronograma de inaugurações, o ponto deve ser aberto na capital paulista e vai ser utilizado principalmente para eventos corporativos da marca, ações culturais e marketing. “Para a imagem da marca, é melhor. Para as vendas, não”, diz o empresário Esber Hajli, CEO e sócio da 7 For All Mankind no Brasil.
A marca quer crescer também em lojas multimarcas, como Grupo Nadia e Twin Set, passando de 100 para 150 pontos. No Brasil, não há planos de adotar o modelo de franquias, e o e-commerce não entra na espinha dorsal da estratégia.
“O varejo físico é a nossa estratégia. O e-commerce é importante, mas, para o nosso segmento, ainda acredito em provar o produto”, diz Hajli. “A calça jeans é complicada porque tem modelagem e temos uma coleção muito ampla. Nas nossas lojas, o vendedor já sabe qual peça indicar, e assim o cliente não prova 45 calças. Essa experiência só se tem fisicamente”.
A grife nasceu em 2000 em Los Angeles, uma novata entre as grifes, mas Esber Hajli é um velho conhecido no varejo. O paulistano começou a carreira como vendedor na italiana Fiorucci, que no país era comandada pela estilista Glória Kalil nos anos 1980. Vinte anos depois, ele trouxe a também italiana Diesel, em 2000, permanecendo na companhia até meados de 2015, e é sócio da grife britânica Fred Perry e distribuidor da marca de moda masculina no Brasil.
Em 2019, o empresário negociou a expansão da 7 For All Mankind no país, onde a marca era distribuída desde 2008 sem operação local. No acordo, Hajli e um grupo de amigos detêm 49% da operação, enquanto a matriz americana possui o controle. Ele assumiu um negócio com faturamento anual de R$ 6 milhões, ante os R$ 65 milhões de hoje, e nenhuma loja no país – e logo depois uma pandemia. “Estou acostumado a ver o Brasil entrar em crise, mas na pandemia o país não entrou sozinho e infelizmente veio para o mundo inteiro. Mas recebemos muita ajuda da matriz”, diz o brasileiro.
Hajli ocupa uma cadeira no conselho de produtos da 7 For All Mankind. Veio dele, por exemplo, a sugestão de aumentar a coleção de peças “ready to wear”, uma iniciativa abraçada pela americana para aumentar o faturamento global com venda de um guarda-roupa completo, incluindo camisetas, camisas e blusas com tamanhos definidos, por exemplo — enquanto o denim mantém produção dedicada mais próxima à alta costura.
“Por mais que nosso jeans seja espetacular, você morre se vender sempre a mesma coisa. Tem que ser uma marca de lifestyle, e isso o ready to wear permite”, explica ele.
A coleção completa com essas novas categorias estreou em fevereiro passado, assinada pelo estilista Nicola Brognano, que se tornou diretor criativo da marca. No Brasil, já representa 20% das vendas e a perspectiva dé chegar a 30%, reduzindo mais um pouco a participação da venda de calças. No mundo, a categoria está engatinhando, com 10%. “É um dedo do Brasil. Para mim, é um orgulho”, diz Hajli.






