A Natura divulgou hoje um comunicado em que dá má notícia para o investidor: o balanço vai ser pior do que a companhia projetava. O reflexo: as ações sobem 7,95% na bolsa. Mas não é porque a informação foi bem digerida.
Na prévia, a empresa diz que as vendas do segundo trimestre foram mais fracas e a receita líquida consolidada é estimada entre R$ 5,1 e R$ 5,2 bilhões, queda de cerca de 10% em relação ao ano anterior, o que representa uma cifra 7% abaixo da projeção média dos analistas.
“A notícia foi ruim. O management já tinha sinalizado interrupções operacionais durante a teleconferência do primeiro trimestre, mas o impacto parece bem pior do que o previsto”, diz um gestor. As ações abriram essa quarta-feira com queda de mais de 4%. O que levou à inversão foi um short squeeze e um comprador com mais apetite. “A situação do aluguel já estava bem estressada, com taxa média chegando a bater 150% ao ano. Um doador grande puxou o aluguel hoje, e piorou ainda mais”, afirma o gestor.
Na ponta compradora, o mercado especula que a Advent aproveitou para comprar mais. O fundo tinha 6,6% diretamente e 1,4% em derivativos, chegando a 8%. Quando anunciou um acordo de governança com os fundadores da Natura para uma posição relevante, a gestora disse que ficaria entre 8% e 10%, e já deve estar mas próxima desse teto, segundo os gestores. O preço de tela ajuda a reduzir o preço médio das compras do fundo: hoje abriu abaixo de R$ 8 e a Advent tinha condicionado seu investimento ao preço médio de R$ 9,75.
A Natura diz que o desempenho do segundo trimestre foi afetado pela indisponibilidade de produtos relacionada à implementação do SAP e à realocação de volumes no Brasil, maior peso na revisão. A companhia aponta, no entanto, que segue vendo melhora da margem Ebitda, uma vez que a operação na América Latina Hispânica continua apresentando crescimento positivo em moeda constante – mas bancos como Citi e Morgan Stanley soltaram relatórios ponderando que sua projeções para margens podem ser revisadas.
A administração busca a recuperação por meio de ajustes na cadeia de suprimentos, alterações nos incentivos à força de vendas, ofertas mais regionalizadas, expansão do marketplace digital, aceleração do programa Minha Loja e retomada das aberturas de franquias.
A agência Fitch estima alavancagem bruta de 2,6 vezes em 2026 e de 2,2 vezes em 2027, à medida que as margens e o fluxo de caixa livre (que deve se manter negativo neste ano) se recuperem gradualmente.






