A Chilli Beans está avaliando levantar recursos com os credores enquanto renegocia a dívida financeira de cerca de R$ 500 milhões, apurou o Pipeline. Não está descartada, contudo, um pedido de recuperação extrajudicial como parte da reestruturação financeira.
A rede de óculos e acessórios vem discutindo com as gestoras de special situations Akron e Vega, que compraram debêntures da empresa no mercado secundário, a possibilidade de obter funding para financiar o capital de giro.
A Chilli Beans tem cerca de R$ 90 milhões em debêntures e a maior parte da dívida está nas mãos de bancos entre eles Banco do Brasil, Caixa e Santander.
Desde maio os investidores estão dando waiver nos pagamentos das debêntures e chegaram a liberar algumas garantias, como recebíveis, para a empresa poder levantar recursos até chegar a um acordo com os credores para renegociar toda a dívida. “A negociação está sendo amigável”, diz um credor.
A discussão, por enquanto, passa por alongamento de prazo e redução de juros, sem desconto no valor da dívida. No fim de agosto, a Chilli Beans, liderada por Caito Maia, anunciou a chegada de André Dela Togna, ex-Galeazzi & Associados, como vice-presidente. Sua função é auxiliar a empresa na reestruturação.
A crise financeira da empresa começou na época da pandemia, com a Chilli Beans tendo que financiar as operações dos franqueados. Com o aumento dos juros, o problema de liquidez da companhia se agravou. A reestruturação financeira está sendo negociada, em princípio, somente com credores financeiros e não envolve fornecedores.
Para aumentar a receita, a Chilli Beans está apostando em novas avenidas de crescimento como a operação de óculos de grau da Chilli Beans, criada em 2019. A marca tem, ao todo, 1,3 mil pontos de venda e está presente em 20 países.
Procurada, a Chilli Beans afirma que “mantém negociações construtivas com seus credores bancários, objetivando equalizar finanças”. Ao mesmo tempo, diz, vem implementando iniciativas operacionais “para criar bases ainda mais sólidas para os próximos ciclos de crescimento que incluem parcerias com nomes relevantes da moda e iniciativas regionais que ampliarão o vínculo da marca com consumidores brasileiros de diferentes regiões.”






