O estado de São Paulo lidera o número de clubes estruturados como SAF (Sociedade Anônima de Futebol) no Brasil. Em julho de 2025, foram registradas 29 SAFs no território paulista, enquanto o Paraná, segundo colocado, somava 15. Esse volume está concentrado principalmente no interior, que sustenta a maior parte das estruturas empresariais do futebol local.
No Campeonato Paulista de 2026, 8 dos 16 clubes da Série A1 operam como SAFs. Entre esses, apenas a portuguesa está sediada na capital. O recorte atualizado em janeiro aponta 10 SAFs nas duas principais divisões estaduais, sendo 6 na A1 e 4 na A2. O levantamento considera apenas clubes com a nomenclatura formal de SAF e não inclui todas as equipes que já adotam modelos empresariais similares.
A Sociedade Anônima de Futebol pode ser criada de duas maneiras. Pela constituição de uma pessoa jurídica nova ou pela transformação de um clube (associação) em S.A.F. Esse é um modelo empresarial que permite a clubes se “transformarem” em empresas a fim de buscar investimento externo através de sócios e investidores. A Sociedade Anônima de Futebol é um formato desmembrado de uma Sociedade Anônima (SA) genérica, um molde específico de “empresa de futebol” criada em 2021.
Este novo modelo de negócio tem trazido reestruturação e estabilidade para as equipes através do aporte financeiro, principalmente para clubes devedores, pois além de permitir uma rolagem da dívida, pode facilitar a obtenção de recursos de investidores que verão seu patrimônio livre de bloqueios judiciais. Neste ano, o Campeonato Brasileiro terá 35% dos clubes como SAFs, mas fica evidente como o modelo tem auxiliado de verdade quando olhamos o efeito gerado para os clubes fora do grande eixo.
Um exemplo disso é o Botafogo-SP que, apesar de não ser uma Sociedade Anônima de Futebol, possui seu modelo SA formalizado desde maio de 2018, onde 60% pertence ao clube social e 40% à Trex Holding, do empresário Adalberto Baptista, com aporte inicial de R$ 8 milhões.
O Botafogo tem marcado resultados gradativos desde a criação do seu novo modelo. Em 2022, o time conseguiu acesso a Série B do Brasileirão, subindo com o maior número de vitórias da competição e o segundo melhor ataque. De 2023 para cá, a equipe se consolidou no acesso, mantendo-se na segunda divisão e garantindo participações consistentes na Copa do Brasil, além de garantir sua permanência na elite do Paulista pela 18ª vez seguida.
Na mesma linha está o modelo SA do Linense, que também ilustra esse cenário. Com uma parceria de gestão com a Squadra Sports criada em 2024, a empresa assumiu majoritariamente o controle do departamento de futebol do clube em um modelo inspirado em holdings internacionais. A empresa aplica inteligência de mercado, padronização de processos e intercâmbio de jogadores entre as equipes para potencializar formação, prospecção e geração de receita. Com a incorporação desse projeto, o Linense tem recebido melhorias estruturais, incluindo modernização planejada do centro de treinamento e reorganização administrativa.
Dentro da capital também há representações desse modelo de gestão que tem crescido continuamente. O Juventus da Mooca teve sua SAF oficializada no ano passado, assinando um investimento de R$ 500 milhões com um planejamento de retorno à Série A até 2035. Um dos pilares do modelo SAF do clube é reestruturar a Rua Javari, instalando o gramado sintético para maior sustentabilidade e uso frequente, além de colocar a equipe em protagonismo em 2027.
Este ano, o clube da Zona Leste fechou um patrocínio com a Pátria Cidadania, como sua nova patrocinadora máster para a temporada de 2026, fortalecendo mais um passo no processo de profissionalização do clube da Mooca. A parceria foi articulada pela Wolff Sports & Marketing, agência responsável pela comercialização das propriedades do Juventus, reforçando a nova fase comercial da SAF.
O Novorizontino também é um exemplo deste cenário, eles operam no modelo de SAF Proprietária Concentrada, gerido pela família Biasi. O clube tem se destacado pela sua eficiência após chegar na final do estadual deste ano após bater o Corinthians nas semis. A trajetória do time também ficou marcada pela goleada de 4 a 0 sobre o Palmeiras em Novo Horizonte e por ter acabado a fase de classificação como líder do campeonato.
Paralelamente, a Portuguesa, clube tradicional da capital, tem voltado a firmar seu protagonismo no futebol. Após selar sua SAF no final de 2024, o projeto tem um investimento avaliado em R$ 1 bilhão de reais. Para essa temporada, a Lusa recebeu R$ 30 milhões para formar seu elenco, uma parcela inicial de R$ 12 milhões para o Paulistão e R$ 18 milhões para o resto da temporada. O Clube de Desportos também irá reformar o Estádio do Canindé em uma arena multiuso.






