Os acionistas da Petrobras elegeram na quinta-feira (16) a nova composição do conselho de administração da companhia, para um mandato de dois anos, até a Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária (AGOE) de 2028. Dez dos 11 assentos do colegiado estavam em disputa, uma vez que o representante dos empregados já havia sido eleito. A AGOE também elegeu Guilherme Mello, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, para presidir o colegiado. A reunião aprovou ainda proposta de remuneração aos acionistas de R$ 41,2 bilhões.
O montante equivale a 37,44% do lucro líquido da estatal em 2025 e inclui a distribuição de R$ 8 bilhões em juros sobre capital próprio, relativos ao quarto trimestre, bem como valores aprovados e distribuídos em trimestres anteriores. Os R$ 8 bilhões correspondem a R$ 0,62622908 por ação preferencial (PN) e ordinária (ON) em circulação e serão pagos em duas parcelas iguais de R$ 4.035.649.632,84, nos dias 20 de maio e 22 de junho.
Mello estreia no conselho da Petrobras no momento em que deve deixar a Fazenda para assumir como secretário-executivo do Ministério do Planejamento. Com isso, a área econômica passa a ter três titulares no colegiado, incluindo Mello, Marcelo Weick Pogliese e Fábio Bittes Terra.
Como esperado, houve disputa pelos assentos pretendidos por indicados da União e dos minoritários na modalidade de voto múltiplo. Esse sistema beneficia minoritários, já que permite concentrar votos em determinados nomes. Foram 11 candidatos para oito vagas, sendo seis da União e dois pelos minoritários. Para ser eleito, o candidato precisava de, no mínimo, 5.078.727.488 de ações (cada ação corresponde a um voto).
Foram eleitos pela União Guilherme Mello, Magda Chambriard (presidente da estatal), Fábio Bittes Terra, José Fernando Coura, Marcelo Weick Pogliese e Renato Galuppo. Desse grupo, Mello e Bittes foram eleitos pela primeira vez, enquanto os demais foram reconduzidos para novo mandato. Ficaram de fora da lista do governo Ricardo Baldin e Benjamin Rabelo.
Pelos minoritários, José João Abdalla e Marcelo Gasparino foram eleitos como representantes dos acionistas ON. Maior acionista individual da Petrobras, Abdalla se reelegeu e Gasparino retornou ao colegiado ao qual renunciou, em março de 2025. Nessa eleição, Mauro Cunha não conseguiu votos suficientes.
Na eleição em separado do controlador, Francisco Petros bateu Marcio Ellery Girão Barroso, reelegendo-se como representante dos acionistas ordinaristas. Na eleição também em separado pelas ações preferenciais, Rachel Maia venceu o conselheiro Jerônimo Antunes. Thalles Kroth, que também disputava a vaga, não conseguiu votos.
Os acionistas da Petrobras aprovaram também a proposta de orçamento de capital para 2026, de R$ 114 bilhões. Do total, R$ 83,6 bilhões serão destinados para a área de exploração & produção (E&P); R$ 19,9 bilhões para refino, transporte e comercialização; R$ 7,5 bilhões para gás e energias de baixo carbono; e R$ 3 bilhões para o segmento corporativo. A AGOE aprovou ainda as contas da estatal de 2025 e elegeu o conselho fiscal da companhia. Além disso, os acionistas aprovaram a proposta da União para remuneração da administração (conselheiros e diretores), no valor global de R$ 57,2 milhões, para o período de abril de 2026 a março de 2027. Com acréscimos por participações em comitês de assessoramento, o valor total sobe para R$ 70 milhões.
Na assembleia, Fernando Siqueira, vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), disse que votou contra a aprovação das contas e a destinação dos resultados da empresa porque royalties de petróleo estão sendo incorporados pela companhia como custos de produção, o que, segundo ele, contraria a legislação. Rosângela Buzanelli já havia sido reeleita como representante dos empregados da companhia, em dezembro de 2025.






