Três engenheiros civis recém-formados em Londrina juntaram as economias para abrir uma lojinha de açaí. Quase uma década depois, comandam uma rede com 1,2 mil franquias e estão, de novo, colocando a mão no bolso para internacionalizar a operação da The Best Açaí – desta vez, com mais um sócio para ajudar na fatura.
No ano passado, a Auster Capital investiu R$ 80 milhões por uma fatia minoritária, já de olho na tese de expansão no exterior. Para afinar a operação em novos mercados, a entrada se dá com lojas próprias. A primeira unidade nos Estados Unidos foi inaugurada em junho, na Lincoln Road, em Miami Beach.
A companhia negocia outros três pontos comerciais entre Fort Lauderdale e Boca Raton, cujas aberturas devem ficar para 2027. “Queríamos entender como seria a operação e qual seria a sua complexidade”, diz o CEO Sérgio Kendy. Os cofundadores são os xarás Mateus Bragato e Mateus Queiroz.
No Brasil, a rede mantém 25 lojas próprias, como laboratório de produtos, processos e gestão para as unidades franqueadas. “Preciso ser operador, sentir na pele as vantagens e as desvantagens, e mostrar o exemplo ao franqueado”, diz o empreendedor.
A experiência internacional mais avançada está no Paraguai, onde a The Best Açaí começou a operar há dois anos e tem 24 lojas. Segundo o CEO, as lojas paraguaias têm faturamento médio superior ao das brasileiras e há espaço para cerca de 40 pontos. “A renda no Paraguai é comparável à de um estado como o Paraná, e o consumidor costuma comer mais fora de casa do que o brasileiro”, diz.
Das mais de mil unidades totais vendidas, 859 já estão em operação. O desafio é equilibrar a abertura das unidades contratadas com a continuidade das vendas de novas franquias. “Tivemos um crescimento muito acelerado e hoje já somos uma das 25 maiores franquias do país. É preciso ocupar espaço e vender lojas, mas também entregar o que foi vendido”, reconhece o CEO.
O volume de vendas nas lojas foi de R$ 590 milhões até agosto, mas como o segundo semestre costuma ter vendas melhores, a companhia projeta fechar o ano com R$ 1,1 bilhão, ante R$ 790 milhões em 2025. Também deve contribuir para a receita a fábrica de recheios inaugurada em maio, em Ibiporã.
Apesar do nome, o trunfo da rede está na diversificação. O açaí (que vem do Pará) representa apenas 40% do consumo nas lojas. Os 24 sabores de sorvete como milho, morango e leite Ninho respondem por outros 30%, enquanto toppings e recheios completam o mix. “Muitas vezes, a criança ou o pai não gosta de açaí. Por isso, criamos uma categoria que pudesse ser vendida junto”, explica Kendy, que estima deter 8% do mercado brasileiro de sorvetes com faturamento médio mensal de R$ 100 mil por loja.
No Paraná, a rede está presente em 95% dos municípios. Os sócios projetam chegar a 2,5 mil lojas em cinco anos, somando Brasil e exterior.






