Os sucessivos recordes das exportações agropecuárias brasileiras na última década ocorrem, também, pelo aumento do número de empresas exportadoras no setor. A quantidade de CNPJs de agropecuária com exportações cresceu de 1.440 em 2015 para 2.316 em 2025, um aumento de 60,8% em 10 anos. O levantamento é do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e inclui empresas de todos os tamanhos, desde MEIs, microempresas e pequenas até médias e grandes.
“A expansão da produção agrícola impulsiona a entrada de novas empresas na comercialização internacional de produtos tradicionais do setor e, também, a diversificação da pauta”, afirmaHerlon Alves Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior da pasta.
De acordo com ele, ao mesmo tempo, a adoção de tecnologias e o desenvolvimento de novas culturas ampliam as oportunidades de inserção, especialmente de pequenas empresas, no comércio exterior.
“Menores” puxam o crescimento
As categorias de empresas agro de porte menor (MEIs, micro e pequenas) com exportação tiveram um salto substancialmente maior em relação às grandes e médias desde 2015.
“É um dado muito interessante e positivo, que indica não só o crescimento, mas também a formalização e profissionalização do setor agropecuário”, avalia Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro.
No período analisado, o número de microempresas e MEIs agroexportadoras saltou de 153 para 443 (+189,5%), enquanto o de pequenas avançou de 191 para 434 (+127,2%). Já entre as médias e grandes, o total subiu de 1.096 para 1.439, crescimento de 31,3%.
Quando comparadas as categorias, as de porte menor somam 877, ou 37,9% do total de empresas agroexportadoras, contra 62,1% das médias e grandes. Há 10 anos, a participação das MEIs, micro e pequenas era de 23,9%, um salto de 14 pontos percentuais.
“Isso também desmonta a falácia de que apenas grandes grupos do agronegócio exportam. Os pequenos também conseguem acessar. O que, certamente, fica muito mais fácil com suporte adicional, seja da Apex ou de cooperativas”, comenta.
Segundo Serigati, o agro é muito heterogêneo e o mercado internacional tem espaço não só para grandes empresas, mas também para produtores com menor escala.
“Não é surpresa que tenhamos mais de 800 empresas de porte menor como exportadoras e também o crescimento. Ouvimos muitos relatos sobre essa evolução”, comenta o especialista.
Apoio aos pequenos
Para o presidente da Agência Brasileira de Promoção das Exportações (ApexBrasil), Jorge Viana, a demanda global por segurança alimentar cresce, com forte dependência do Brasil.
“Além de fornecer commodities, os principais desafios do agro brasileiro são avançar na exportação de produtos com maior valor agregado e incluir pequenas empresas”, opina.
Viana informa que a ApexBrasil já atende 960 das 2,3 mil empresas agroexportadoras, ou cerca de 41% do total, um índice acima do registrado em outros setores.
Entre os programas, ele cita o Exporta Mais Brasil, que traz compradores estrangeiros ao país e tem 27 edições previstas para 2026, com rodadas de negócios individualizadas e apoio de intérpretes. Em 2025, estas ações geraram cerca de R$ 1 bilhão em negócios com produtos que vão desde cafés especiais, mel, castanhas, madeira e pulses, entre outros. “Nós fazemos um trabalho de inteligência para encontrar os compradores e trazê-los ao Brasil”, explica Viana.
A estratégia também passa pela inclusão das cooperativas nos eventos e feiras internacionais, bem como o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX). “Os grandes chegam rápido lá fora, mas é nos pequenos que a gente precisa pegar na mão”, afirma.
Viana também cita a “aposta” no e-commerce como porta de entrada para pequenos produtores para superar desafios logísticos. “Essa é uma vitrine importante e vai crescer, mas ainda temos obstáculos, como critérios regulatórios”, conclui Viana.
Pauta diversificada
O portfólio de produtos agropecuários também registrou aumento expressivo, de 70%, entre 2015 e 2025. O número de NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul), código que identifica cada tipo de produto, saltou de 225, em 2015, para 387, em 2025.
“Esse movimento (crescimento do agro) se traduz no aumento e na diversificação da pauta exportadora”, constata Brandão.
Por exemplo, ele observa maior diversidade nas exportações de frutas, com a inclusão de produtos como tangerinas, amêndoas, nectarina, pitaia e lichia, além da ampliação da pauta de verduras e leguminosas.
“Também se destaca a exportação de sementes para semeadura que antes não integravam a pauta, como as de nabo, rícino, mostarda e algodão”, cita.
Cenário
Como um todo, a agropecuária representou apenas 6,9% das empresas exportadoras do país em 2025. Já a indústria de transformação, que responde pela a maior fatia, somou 81% do total, com 33.359 CNPJs. Dez anos antes, os percentuais eram, respectivamente, 6,5% e 82%.
No quesito faturamento, a agropecuária amplia sua participação. Em 2015, as exportações das empresas do setor somaram US$ 35 bilhões, o equivalente a 19,7% do total de US$ 177,8 bilhões exportados.
Em 2025, esse valor mais que dobrou, alcançando US$ 77,4 bilhões, com participação de 23,9% sobre o total de US$ 323,6 bilhões. No período, o faturamento do setor cresceu cerca de 121%, com ganho de 4,2 pontos percentuais na participação nas exportações brasileiras.
O levantamento considera apenas as empresas exportadoras do segmento de “dentro da porteira”, o que exclui parte da agroindústria e empresas de outros elos do agronegócio.
Dados do próprio MDIC totalizaram em US$ 169,2 bilhões as exportações do agro como um todo em 2025, o que representou 48,5% do total exportado pelo país.






