A Piracanjuba fechou três aquisições centradas em queijos em pouco mais de um ano, parte de um plano maior para se firmar como uma das principais consolidadoras do setor de laticínios no Brasil. A estratégia do grupo, o segundo maior do país, é ampliar o crescimento orgânico e inorgânico para crescer em categorias de maior valor agregado, como queijos regionais, suplementação alimentar e nutrição farmacêutica.
A tese do grupo, sediado em Goiás, é usar M&As para ampliar a bacia leiteira em regiões estratégicas. A região Nordeste registra maior potencial, crescendo a 30% ao ano, ante a taxa de 8% na média nacional. Duas das aquisições recentes foram lá: anunciada em maio de 2025, a Natulat, em Sergipe, tornou-se a primeira fábrica da companhia na região; um ano depois, comprou a Sertão Laticínio, em Alagoas, onde a planta deve chegar à capacidade para processar 80 mil litros de leite por dia até o fim deste ano.
Ampliar a infraestrutura perto da fonte ajuda a reduzir custos logísticos e desperdícios. “O Nordeste tem se desenvolvido bastante nos últimos anos, crescendo a uma taxa maior do que o restante do país, então sempre há interesse de ganhar competitividade numa bacia leiteira que está em evolução”, diz Luiz Claudio Lorenzo, CEO da Piracanjuba.
Ele está há 18 anos no grupo e assumiu o comando em 2024, primeiro executivo de fora da família fundadora, a Helou, no cargo.
Em janeiro, a Piracanjuba comprou também a mineira Basel Lácteos, produtora de queijos premium como emmental, gouda e gruyere. A estratégia, explica Lorenzo, é ampliar o portfólio, oferecendo produtos de maior valor agregado em diversas categorias. Essas plantas também podem permitir a produção de outros derivados do leite, como manteiga e requeijão.
A Piracanjuba acompanha uma onda de M&As que tem esquentado o setor nos últimos meses. Apenas no segmento de queijos, a Tirolez levou a Regina e a Levitare; o grupo Ipanema adquiriu a Serra das Antas e Chevre D’or; e a francesa Savencia, dona da Polenghi, comprou a Quatá Alimentos.
Com meta para fechar o ano com R$ 13 bilhões em vendas, crescimento de 8,5%, a Piracanjuba aposta que há ainda mais espaço para consolidação no setor de laticínios. A avaliação é que os cinco maiores grupos, que incluem a líder francesa Lactalis (dona da Batavo, Parmalat e President) e a cooperativa Unium, devem concentrar mais da metade do mercado brasileiro nos próximos anos, tido como ainda muito fragmentado.
“O mercado vem se consolidado para grandes players, e a nossa estratégia é estar entre esses maiores consolidadores do país”, diz Lorenzo.
Além do queijo, outro pilar é crescer em segmentos hoje com pouca representatividade nas vendas do grupo. O canal farmacêutico, por meio da marca de alimentação infantil Nutrition e por produtos para consumidores das canetas emagrecedoras, é um dos destaques. Lorenzo quer entrar em um segmento dominado pelas gigantes Nestlé e Danone, tirando um naco do whey protein.
Em 2024, o grupo adquiriu a Emana, marca de suplementos cofundada pelo ator Rodrigo Hilbert. Em maio passado, dobrou a aposta: anunciou um investimento de R$ 600 milhões para ampliar a produção de produção de whey protein na torre de secagem do grupo no Paraná, a segunda maior do país. “Vamos passar a ser um grande produtor dessa proteína”, diz o CEO. “É uma categoria em que vamos ter bastante relevância”.






