A geração de startups pressionadas por rentabilidade não se aplica necessariamente aos unicórnios da inteligência artificial. A empresa indiana de vibe coding Emergent fechou uma captação de US$ 130 milhões que avaliou a companhia de 13 meses de existência em US$ 1,5 bilhão. O motivo para tanto capital em tão pouco tempo é um: queimar caixa para ganhar o mundo.
A Emergent atingiu o primeiro milhão de usuários em setembro de 2025, quando tinha 90 dias de criação. Em fevereiro de 2026, eram cinco milhões. Hoje, são 10 milhões. “Estamos muito focados em abocanhar o mercado e garantir que sejamos capazes de crescer no ritmo que queremos”, diz o CEO Mukund Jha, que fundou a empresa com o irmão gêmeo, Madhav Jha, o atual CTO.
A dupla acaba de levantar uma série C que multiplicou o valuation em cinco vezes em relação à captação anterior, de US$ 70 milhões, fechada há apenas quatro meses – e um dos alvos para aplicar o capital é o mercado brasileiro. A base de investidores inclui a firma indiana de private equity Creaegis, MNI Ventures-Claypond Capital, Sentinel Global, Khosla Ventures, SoftBank Vision Fund 2, Lightspeed e Y Combinator.
Com base operacional nas cidades de Bangalore, na Índia, e em São Francisco, nos EUA, a Emergent permite que pessoas sem conhecimento de programação criem aplicativos full-stack do zero. A ferramenta de IA é capaz de desenvolver CRMs, ERPs, marketplaces e ferramentas internas por meio de agentes autônomos, sem depender das equipes de desenvolvedores tradicionais.
O negócio tem como concorrentes os unicórnios globais Lovable, Replit e Cursor, também capitalizados e já com valuations superiores. Mas o diferencial da indiana é o foco nas PMEs, um segmento pouco atendido na digitalização.
Apesar de ser uma startup da nova geração de modelo de negócios, a Emergent adota a velha máxima de crescer primeiro, e lucrar depois. Da dezena de milhões de usuários, apenas uma fatia de 200 mil assina a versão paga da plataforma, hoje a única fonte de receita da startup. A ARR, segundo a companhia, está em US$ 12 milhões.
“Não somos lucrativos no momento, mas não estamos muito longe”, afirma Jha, acrescentando que a companhia analisa de perto a margem bruta e está construindo um cronograma para chegar à rentabilidade.
A Emergent é o terceiro unicórnio de IA da Índia formado neste ano. Antes dela, as startups Neysa e Sarvam AI superaram o valuation de US$ 1 bilhão em menos de três anos. O país reúne mais de 130 startups com avaliação bilionária. “Virar unicórnio apenas um ano depois do lançamento é uma forte validação do nosso produto, do mercado de IA e da equipe da Emergent”, acrescenta Jha.
O dinheiro captado vai ser utilizado principalmente para o desenvolvimento de produtos, para aumentar a equipe, especialmente nos Estados Unidos, e acelerar a expansão global da startup, já presente em 190 países.
Segundo o CEO, o Brasil é um dos mercados estratégicos para a expansão global. O país soma mais de um milhão de usuários na plataforma, com o avanço puxado principalmente por agências de marketing e por desenvolvedores que lidam com equipes pequenas. A expansão no país tem sido majoritariamente orgânica, no famoso boca-a-boca, e a startup quer aumentar a aposta no marketing de influenciadores e em mídia paga para ampliar o bolo.
“O plano é nos aprofundarmos em alguns dos grandes mercados, como Índia e Brasil, e aumentar a distribuição nesses mercados”, afirma Jha. Ex-engenheiro do Google, ele já visitou Belo Horizonte, um dos pólos de tecnologia da big tech no país. Um escritório da Emergent no Brasil está em avaliação.






