Está marcada para abril a abertura da primeira loja da rede chinesa de sorvetes e chás Mixue, no Shopping Cidade São Paulo, na capital paulista. A chegada foi anunciada com pompas pelos governos dos dois países em maio do ano passado, durante visita do presidente Lula à China, mas até então sem data para acontecer. O investimento anunciado na ocasião foi de R$ 3,2 bilhões.
Com mais de 45 mil lojas espalhadas por 14 países principalmente na Ásia e na Oceania, a Mixue supera gigantes como McDonald’s, Subway e Starbucks em número de unidades e agora mira o mercado sul-americano, começando pelo Brasil.
A Mixue vai trazer o cardápio tradicional da marca, que inclui limonadas, sobremesas, chás, milk teas e bebidas à base de frutas feitas na hora. Além disso, na tropicalização da operação comandada pelo executivo chinês Tian Zezhong, a companhia diz que vai servir drinques especiais com frutas tropicais locais e café para atender ao paladar do brasileiro. No lançamento no próximo mês, clientes também vão poder pedir as bebidas pela plataforma de delivery da Keeta.
“Mercados emergentes como o Brasil oferecem oportunidades relevantes para marcas internacionais, especialmente aquelas que combinam inovação, consistência de qualidade e preços competitivos, aliadas a uma estratégia de adaptação às preferências locais”, diz a Mixue em nota, ainda reclusa de entrevistas.
A Mixue espera abrir mais unidades no Brasil e usar o país como sede para a operação futura na América Latina. Além disso, o país servir como ponto de aquisição de produtos agrícolas para integrar a cadeia global de suprimentos da Mixue. A partir de 2027, a companhia vai realizar a compra de produtos agrícolas do Brasil para abastecer as lojas do mundo, como café e frutas tropicais.
Com modelo de negócio baseado em preços acessíveis e identidade visual lúdica, a Mixue foi fundada na província de Henan em 1997 como uma pequena loja de “raspadinhas”. O negócio ganhou escala ao apostar em franquias de baixo custo e em um cardápio simples, centrado em sorvete de baunilha na casquinha, chá com leite e bebidas geladas, além da identidade visual marcante, representada pelo mascote Snow King.
A estratégia na China combina uma operação enxuta com forte apelo popular: preços baixos — em alguns casos, equivalentes a menos de R$ 2 — para conquistar o público jovem e de renda inferior, especialmente em cidades menores.
Esse posicionamento, aliado ao seu carismático boneco de neve, ajudou a viralizar a marca nas redes sociais e se tornar um fenômeno de consumo na Ásia. A rede não informou como será sua política de preços no Brasil.
Nos últimos anos, a Mixue iniciou um processo agressivo de internacionalização. A empresa já abriu lojas em países como Indonésia, Vietnã, Tailândia, Coreia do Sul e até mesmo na Austrália. Em 2023, a rede começou a estudar sua entrada em mercados ocidentais, incluindo o Brasil, atraída pelo grande público consumidor e pela cultura local de sorvetes e bebidas geladas.
A expansão internacional, no entanto, também trouxe desafios, como adequações ao paladar local e questões regulatórias.
Sua conterrânea no delivery, a Keeta – marca da Meituan fora da China – tem alegado dificuldades para expandir sua atuação em capitais brasileiras devido aos contratos de exclusividade dos outros aplicativos com redes de restaurantes, e adiou sua entrada no Rio, demitindo 200 funcionários que haviam sido contratados para o backoffice da operação.
Desde dezembro, a Keeta está em São Paulo e oito cidades da região metropolitana, além de Santos e São Vicente, onde o piloto da operação brasileira estreou.






