Enquanto o mundo acompanhava o Australian Open, olhos atentos veem muito mais do que bolas vencedoras, rankings e troféus. Fora das quadras, existe um jogo silencioso, e altamente lucrativo, sendo disputado: o da propriedade industrial.
Os grandes nomes do tênis mundial compreenderam que a performance esportiva, embora essencial, é passageira. Já a marca, quando estrategicamente construída e juridicamente protegida, transforma prestígio, reputação e visibilidade global em ativos econômicos duradouros. É nesse cenário que o esporte se conecta ao direito, ao mercado e à criação de negócios capazes de sobreviver muito além do último match point.
Marcas de atletas como ativos estratégicos
Não é por acaso que grandes tenistas possuem registros de marca nos principais mercados do mundo, inclusive no Brasil. A proteção jurídica desses sinais distintivos permite a exploração comercial segura da imagem, do nome e dos símbolos associados ao atleta.
Alguns exemplos ilustram essa estratégia:
- Carlos Alcaraz possui marca registrada nos Estados Unidos e Europa.
- Jannik Sinner mantém registros na Europa, nos Estados Unidos e conta com dois registros de marca no Brasil.
- Roger Federer protegeu sua marca na Europa, nos EUA e também no Brasil.
- Novak Djokovic possui marca própria registrada nos EUA, na Europa e quatro registros ativos no INPI, todos em vigor.
- Serena Williams detém registros de marca nos Estados Unidos, sustentando uma atuação empresarial consolidada fora das quadras. Recentemente, ela lançou uma linha própria de joias, incluindo colares, brincos, anéis e pulseiras em ouro, prata e diamantes.
Esses registros viabilizam contratos de licenciamento, colaborações comerciais, expansão internacional e proteção contra usos indevidos ou aproveitamento parasitário.
Quando o esporte se conecta com moda, design e luxo
O tênis moderno se consolidou como uma plataforma de comunicação de identidade, estilo e posicionamento de mercado. Cada vez mais, atletas extrapolam o esporte e passam a atuar nos setores de moda, design e luxo.
No Australian Open, essa conexão ficou evidente:
- Naomi Osaka chamou atenção ao utilizar um look inspirado em águas-vivas, reforçando como estética e conceito também comunicam marca.
- Aryna Sabalenka realizou colaborações com marcas de luxo, como a Gucci.
Essas iniciativas só são possíveis porque há, por trás, proteção jurídica adequada da marca, permitindo exploração econômica organizada e segura.
Oportunidade e timing: proteger antes de explorar
O ponto central em comum entre esses exemplos é o timing estratégico. O registro da marca não ocorre depois do sucesso consolidado, mas antes da exploração comercial em larga escala.
A proteção da marca garante:
- exclusividade de uso
- segurança para licenciamento e parcerias
- prevenção contra cópias e usos indevidos
- valorização patrimonial do ativo intangível
- previsibilidade jurídica para expansão
No esporte, a carreira é limitada pelo tempo e pelo corpo.
A marca, quando protegida, pode atravessar décadas.
A mesma lógica se aplica às empresas
No ambiente empresarial, o raciocínio é exatamente o mesmo.
A propriedade industrial, especialmente o registro de marcas e desenhos industriais, figura hoje entre os principais ativos de uma empresa, muitas vezes superando, em valor, bens materiais tradicionais.
Sai na frente a empresa que:
- registra sua marca desde o início
- estrutura juridicamente sua identidade
- enxerga a marca como ativo estratégico
Por outro lado, a ausência de proteção pode resultar em:
- perda do nome comercial
- disputas judiciais complexas
- impedimento de expansão
- exploração indevida por terceiros
O Australian Open evidencia que, tanto no esporte quanto nos negócios, vencer não depende apenas de talento ou visibilidade, mas de planejamento, estratégia e proteção jurídica.
A quadra revela o desempenho do presente.
A marca protegida constrói o futuro.
Investir em propriedade industrial não é um custo, mas uma estratégia essencial para transformar reputação, identidade e inovação em valor econômico sustentável.
Alertamos que este material foi elaborado para fins informativos e de debate, não devendo ser interpretado como opinião legal para qualquer operação ou negócio específico. Os advogados do Gomes Altimari Advogados permanecem à disposição para esclarecimentos adicionais sobre o tema.
José Luís Mazuquelli Junior
jose.mazuquelli@gomesaltimari.com.br






