A indústria precisa tratar água, mas instalar e manter equipamentos em clientes espalhados pelo país custa caro. É nessa conta que a Biosolvit vê espaço para crescer com franquias.
Fundada por Guilhermo Queiroz, a empresa começou transformando resíduos de palmeiras em vasos e materiais para absorver petróleo. Hoje, tem seis fábricas, cerca de 170 funcionários e faturou R$ 72 milhões em 2025, aproximadamente 100 vezes a receita de 2019.
A novidade é a Biofranquia, lançada no fim do primeiro semestre de 2026. A Biosolvit esperava assinar três contratos neste ano e chegar a cinco em 2027. Já fechou cinco e elevou a meta para 15 operações até o fim do próximo ano.
“A gente já está com cinco contratos assinados. Está sendo muito rápida a migração para as franquias”, diz Queiroz.
Cada unidade exige investimento total de R$ 300.000 a R$ 500.000. A companhia projeta receita anual de até R$ 30 milhões por franquia madura, mas ainda não tem operações com histórico suficiente para comprovar esse resultado. O primeiro desafio é fazer os contratos saírem do papel.
Como funciona a franquia de tratamento de água
A Biofranquia não tem balcão nem loja aberta ao público. O franqueado atende empresas, condomínios, hospitais e companhias de saneamento em uma região definida. Vende, instala e acompanha equipamentos de tratamento e monitoramento da água.
Os sistemas usam sensores e inteligência artificial para medir indicadores como cloro e turbidez, que aponta partículas presentes na água. A tecnologia ajuda a ajustar o tratamento, mas depende de manutenção e reposição de insumos.
“Depois que ele assina, a gente garante o resto todo. A gente deixa tudo rodando e mantém durante a vida do contrato aquele equipamento funcionando adequadamente”, diz Queiroz.
A Biosolvit procura empresários que já trabalham com limpeza de caixas-d’água, produtos químicos ou manutenção. A ideia é aproveitar a experiência técnica e, sobretudo, a carteira de clientes desses parceiros.
“Muitas vezes já tem um cliente na mão, cliente é parte do relacionamento dele. Então esses caras são nosso sonho de consumo”, diz.
Para atrair os primeiros franqueados, a companhia dispensa a taxa de franquia e permite montar a estrutura aos poucos. Segundo o fundador, o desembolso nos seis primeiros meses pode ficar entre R$ 6.000 e R$ 8.000 por mês, com deslocamentos e contratação de um técnico. Esse gasto inicial não substitui o investimento total previsto.
A projeção é faturar entre R$ 15 milhões e R$ 30 milhões por ano quando a operação amadurecer, entre o segundo e o quinto ano. A Biosolvit não informou margem de lucro nem prazo de retorno. Receita, portanto, não é dinheiro garantido ao franqueado.
De resíduos de palmito a seis fábricas
A origem do negócio está em uma fábrica de palmito comprada por Queiroz em 2008. Ele pretendia produzir conservas, mas viu pouco espaço para crescer. Apenas cerca de 3% da palmeira era aproveitada na produção do alimento. O restante virava resíduo.
Em 2014, fundou a Biosolvit para transformar esse descarte em vasos e substratos de jardinagem. Depois vieram materiais vegetais que absorvem petróleo em acidentes ambientais. A partir de 2019, investimentos e aquisições levaram a empresa a outros mercados.
Hoje, a operação inclui tratamento de água, filtração industrial, resposta a acidentes ambientais, controle de poeira e reaproveitamento de resíduos. As fábricas ficam em seis estados: Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Espírito Santo e Minas Gerais.
Em uma parceria com a Vale, a Biosolvit usa garrafas PET descartadas para produzir materiais de controle de poeira. Segundo Queiroz, a operação recupera mais de 6 milhões de garrafas por mês.
A Biosolvit também aparece na 18ª posição do ranking Negócios em Expansão 2026, da EXAME, que reconhece empresas brasileiras em crescimento. Sediada em Barra Mansa, no interior do Rio de Janeiro, a companhia registrou receita de 45,8 milhões de reais em 2024, ante 17,5 milhões de reais no ano anterior, um avanço de 162,4%.
A meta de R$ 700 milhões
A Biosolvit quer chegar a R$ 700 milhões de receita até 2032, com novos produtos, aquisições e expansão das operações. As franquias entram nesse plano, mas Queiroz ainda não sabe quanto poderão acrescentar ao faturamento.
“Pode ser um crescimento de 30% a 40%, como pode ser um crescimento muito expressivo. A gente pode bater 100% de crescimento a depender da força e da determinação desse canal franqueado”, diz.
Antes de chegar às 15 operações previstas para 2027, a empresa precisa colocar as cinco contratadas para funcionar. É nesse teste que a projeção de faturamento dos franqueados começará a enfrentar os custos e as exigências do mercado.






