O Itaú Ventures acaba de liderar um investimento na Minter, startup que instala data centers móveis em geradoras para mitigar uma das principais dores do setor no Brasil: o curtailment. O fenômeno ocorre quando a energia gerada precisa ser desligada ou reduzida porque o sistema não consegue absorver a oferta de fontes intermitentes como a eólica e e a solar.
A rodada série A também trouxe Grupo Leste, Legend Capital e investidores individuais. O montante não foi revelado, mas o CVC do Itaú costuma fazer aportes de R$ 20 milhões a R$ 50 milhões. A companhia já tinha levantando um seed com os family offices Oikos e Luxor.
“O selo do Itaú ajuda a incentivar que os geradores de energia tenham conforto para abrir a cabeça para o fato de que um data center flexível dentro dos parques pode ser uma estratégia de portfólio”, afirma Stefano Sergole, CEO e fundador da Minter.
Criada em julho de 2023, a companhia instalar os chamados data centers móveis: uma estrutura de contêineres com até 200 máquinas capazes de processar dados digitais. A tecnologia funciona de maneira similar à megainfraestrutura de empresas como Ascenty, Scala e Equinix, mas é mais barata, menor e modular: permite ser transportada para qualquer ponto.
A Minter instala esses data centers nos pontos de geração de energia renovável para que o excedente energético não seja desperdiçado, reduzindo custos de consumo e de transmissão. Atualmente, a Minter atende um único cliente por meio de uma planta na cidade de Xique-Xique, na Bahia, com capacidade instalada de 20 MW.
Com a rodada, a energy tech planeja comprar máquinas e atender mais clientes, alcançando 40 MW até o fim do ano e 500 MW em 2029. “A Minter torna possível monetizar o que vai ser perdido no curtailment e resolver a dor atual de várias geradoras”, explica Sergole, que vê um grande mercado endereçável, com perdas somadas de 4 GW no país, ou 5% da matriz energética brasileira.
A Minter hoje mira empresas de mineração de bitcoin, que exigem processamento de grande volume de dados, e quer expandir para computação em nuvem, mas o alto custo das máquinas é uma barreira. “Para o nosso modelo flexível, tem sido mais rentável nos posicionar em mineração de bitcoin”, afirma o CEO, frisando que a empresa é geradora de caixa.
Já o Itaú quer fazer a ponte entre a Minter e as geradoras de energia, reduzindo custos e ampliando a eficiência para esses clientes. “A Minter vem para trazer mais segurança para essas parcerias do setor”, afirma Philippe Schlumpf, superintendente do venture capital do Itaú, criado com a incorporação da Kinea Ventures no ano passado.
Nessa nova fase, o CVC busca empresas que tenham sinergia não só com o banco, mas com seus clientes na forma de serviços. A expectativa é alocar mais R$ 200 milhões em até cinco projetos série A ou B até julho deste ano.






