“Cuidar de quem cuida” virou parte do negócio da Petlove, maior ecossistema pet do Brasil. Em um setor em que o bem-estar dos profissionais impacta diretamente a saúde dos animais, a companhia passou a estruturar sua agenda ESG a partir da seguinte premissa: o cuidado começa pelas pessoas.
Essa visão deu origem a uma transformação iniciada há cerca de cinco anos. Desde então, a empresa investiu aproximadamente R$ 22 milhões em iniciativas socioambientais, um movimento que agora se consolida com a conquista da certificação B Corp, a tornando pioneira no setor pet brasileiro.
Fundada em 1999 como um dos primeiros e-commerces pet do país, a Petlove se tornou um ecossistema que hoje integra produtos, serviços e saúde animal.
Atualmente, conecta mais de 8 mil profissionais credenciados em cerca de 400 cidades, além de operar um marketplace com mais de 15 mil itens e uma frente B2B voltada ao público veterinário.
A virada começou quando começaram a se questionar sobre o impacto do próprio modelo de atuação. Talita Lacerda, CEO da Petlove desde 2021, conta que o ESG passou a integrar o centro da estratégia ao mesmo tempo que o social sempre esteve bastante inerente ao “core” do negócio.
“Para manter esse selo B, a barra é super alta. A jornada está só no começo”, destaca.
Na prática, isso significou incorporar metas ambientais, sociais e de governança à gestão, com acompanhamento da liderança e investimento direto em mudanças operacionais.
“É um momento simbólico pois mostra que estamos evoluindo e inovando na forma de fazer negócios”, acrescentou a CEO.
Impacto social que nasce da operação
No caso da Petlove, o eixo social está diretamente ligado à própria estrutura da operação, que envolve médicos veterinários, prestadores de serviço e parceiros em toda a cadeia.
A empresa vem ampliando iniciativas voltadas ao bem-estar desses profissionais, incluindo programas de saúde física e mental, benefícios e capacitação.
Esse olhar também se reflete dentro da companhia. A Petlove afirma ter atingido 100% de salário digno entre os colaboradores e implementado o programa Todos Sócios, que garante participação acionária.
A agenda de diversidade também aparece como pilar relevante, com 45% das posições de liderança ocupadas por mulheres.
Além disso, há outras iniciativas em curso, como o apoio contínuo a ONGs de proteção animal, programas de doação em situações de crise e projetos como o “Love que Cuida”, que prepara cães resgatados para atuação terapêutica.
“A ambição é ser um grande ecossistema e expandir o impacto para toda cadeia de valor, além dos muros da empresa”, destaca Talita.
Logística é o principal gargalo ambiental
Se o social já fazia parte do modelo, o pilar ambiental exigiu um olhar atento, especialmente por conta da logística, central no negócio de e-commerce.
Segundo a CEO, o maior desafio é o transporte, com emissões ainda bastante relevantes.
Para reduzir essa pegada de carbono, a empresa revisou sua operação com foco em eficiência e descarbonização. “A primeira grande mudança foi revisar rotas sob a perspectiva de impacto”, conta.
Entre as medidas adotadas estão o redesenho de rotas para reduzir tempo e consumo de combustível, incentivo ao uso de etanol por parceiros logísticos, testes com veículos elétricos e iniciativas de emissões.
Embalagens, resíduos e economia circular
A agenda ambiental também avançou em outras frentes. Nos últimos anos, a companhia passou a rever o uso de materiais, reduzir plásticos e buscar alternativas mais sustentáveis.
As principais conquistas foram a compensação de 100% das embalagens do e-commerce em parceria com a EuReciclo, o desenvolvimento de embalagens com menor uso de plástico e materiais biodegradáveis, testes com modelos de consumo mais sustentáveis, como produtos a granel e a criação de linhas próprias de menor emissão.
Além disso, a companhia investiu em eficiência energética e infraestrutura, com destaque para um centro de distribuição com certificação ambiental (LEED).
“As mudanças que implicavam investimentos altos foram as mais desafiadoras”, ressalta a executiva. Segundo ela, os aportes foram direcionados à redução de emissões, destinação de resíduos, redução de plástico e garantia de salário digno, com apoio do conselho e dos investidores.
Expandir impacto para toda cadeia de valor
Em governança, a Petlove passou a vincular metas ESG ao desempenho do comitê executivo e do conselho de administração, além de reforçar estruturas de e integridade.
Ao mesmo tempo, passou a levar essa agenda para fora de casa. Fornecedores e parceiros passaram a ser cobrados por padrões mínimos de conduta, visando expandir boas práticas para toda cadeia de valor.
“Se não tem aderência ao nosso código de ética, já não dá para se juntar”, frisa a CEO.
A aposta da companhia é que a sustentabilidade deixe de ser diferencial e passe a se tornar padrão no setor, com o desejo de que outras empresas também consigam capturar valor ao integrar impacto, eficiência e estratégia.






