Empresas de alimentos têm sentido o baque no apetite do consumidor que aderiu a medicamentos como Ozempic e Wegovy. Nestlé e Danone, por exemplo, monitoram mudanças nos hábitos dos clientes e pensam novos produtos para atender a nova demanda. Agora, a mesma preocupação passou para os restaurantes, que estão adotando o “Menu Mounjaro”.
A rede de churrascarias NB Steak está adaptando o cardápio para os tempos das canetas emagrecedoras. A partir deste mês, as unidades vão receber o “Menu Essencial”, um cardápio fixo e enxuto que difere do menu-degustação que se tornou o carro-chefe nos 10 endereços da casa.
O menu essencial foi criado para atender ao público das canetinhas de GLP-1, segmento que estava se afastando dos rodízios, diz Arri Coser. O empresário entrou no NB Steak em 2012 e fez a expansão da rede pelo Brasil. Além disso, o cardápio menor é atraente para os idosos, que normalmente preferem pratos menores à fartura de um rodízio, emenda o do dono.
“Criamos uma alternativa por demanda dos clientes”, explica Coser, que trabalha com restaurantes há 49 anos e testemunhou a mudança no comportamento do consumidor. A expectativa é que alternativa chegue a somar de 10% a 15% dos pedidos, com potencial de atrair 25% a mais de receita com esse novo público. “Vamos ter um cliente que não é nosso hoje”, diz.
A NB Steak faz parte do MDR Group, também dono da rede Maremonti, cadeia de 10 restaurantes de cozinha italiana. Fundado nos anos 1990 por Lemir e Mairi Magnani, o grupo abandonou a fartura do rodízio tradicional das churrascarias, que incluía o bufê, por uma degustação de carnes servidas em etapas.
“O menu-degustação não vai sumir, porque a pessoa pode degustar de diversos cortes e ter uma experiência mais longa a um custo único. Os restaurantes que ganharam Michelin são degustação também”, explica Coser, em referência aos paulistanos Tuju e Evvai, os dois primeiros brasileiros a receber 3 estrelas do consagrado guia francês.






