Tradicionais grupos industriais do país estão adotando a estratégia de “holding de investimentos” para fazer a venda de ativos antes considerados “core” (principal) dos seus negócios e investir em participações, não necessariamente majoritárias, em empresas de áreas distintas. Tendência entre grandes conglomerados brasileiros, essa estratégia de gestão mais ativa de portfólio também tem sido adotada por companhias que estão na segunda e terceira gerações das famílias fundadoras e não estão mais no dia a dia do negócio. “Há 20 anos, era difícil ver um conglomerado brasileiro fazendo gestão ativa de portfólio. Era muito mais uma direção única: comprar, comprar”, diz Alessandro Zema, corresponsável pelo Morgan Stanley no Brasil e América Latina. “Os grupos têm analisado mais se faz sentido continuar investido em determinados setores ou se preferem dobrar a aposta em outros.”
Para Anderson Brito, responsável pelo UBS BB, esse movimento da indústria é um caminho natural e algo já observado no exterior, sobretudo por causa da profissionalização desses conglomerados. “Tem o desafio de disciplina de quais setores deverão ser investidos, de qual será a geografia. Quando há uma diversificação sem regras, há riscos embutidos”,
Grupo centenário, o Votorantim foi um dos pioneiros na adoção do conceito de holding de investimentos e em diversificação. Dona do grupo Ipiranga, a Ultrapar também passou a administrar o conglomerado como uma holding estratégica de negócios, com avaliação ativa de suas empresas. Fundado pelas famílias Igel e Beltrão, o grupo foi um dos primeiros a a ter gestão profissionalizada. Criado pela família Batista, dona da JBS, o grupo J&F foi se diversificando para além dos frigoríficos e hoje controla importantes negócios dentro e fora do país. A trajetória de holding também foi trabalhada pela Cosan, que originalmente atuava no setor sucroalcooleiro. No grupo Simpar, que completa 70 anos de em 2026, a segregação dos negócios em empresas independentes, sob o guarda-chuva de uma holding, começou a ser preparada em 2013 e culminou na sua listagem na B3 em 2020.






